02 setembro 2019

O Poder do Hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios #1

Compartilhar as experiências que me fazem bem e estimular que as pessoas construam seus próprios caminhos na busca daquilo que anseiam está entre as coisas que, realmente, são significativas para mim.

Entre as perguntas que mais me fazem, a curiosidade sobre como faço para ler muito está no topo da lista. Mesmo sabendo que não há segredo para isso, em um mundo marcado pelas notificações que dificultam cada vez mais o poder de concentração do indivíduo, manter o foco em páginas e páginas de leitura pode ser algo desafiador.

De fato, é, mas ser difícil não é sinônimo de impossível!

Neste segundo semestre de 2019 dei vida à ação de extensão que busca estimular o desenvolvimento do hábito da leitura e, para começar, o livro escolhido foi O Poder do Hábito: por que fazemos o que fazemosna vida e nos negócios, do jornalista norte-americano Charles Duhigg, ganhador do prêmio Pulitzer. A publicação de 2012 tem edição da Objetiva.

O livro é dividido em três partes: Os hábitos dos indivíduos; Os hábitos de organizações bem-sucedidas; e Os hábitos das sociedades, que integram pouco mais de 400 páginas.

A proposta é de conclusão da leitura em um período de 45 dias, sendo cada quinzena destinada a uma das três partes da obra. Para as duas primeiras partes, a meta é ler cerca de nove páginas por dia. A terceira é um pouco menor, o que demandará menos conteúdo por dia.

Na Parte um: Os hábitos dos indivíduos, Duhigg já surpreende os mais desavisados sobre o conteúdo da obra, como eu até então. O título, claramente escolhido para inserir o livro em um segmento específico de mercado que tende a ceder aos apelos comerciais, deixa em segundo plano a riqueza do teor apresentado pelo jornalista.

O trabalho de Duhigg é embasado em pesquisas científicas que demonstram o funcionamento do cérebro na construção e reconstrução de hábitos e como estes são responsáveis por cerca de 40% das atividades que desempenhamos em nosso cotidiano.

Isso significa dizer que não somos responsáveis pelas coisas que fazemos em sua plenitude, tendo em vista o fato de o hábito tornar desnecessário o processo decisório, fazendo com que o corpo aja porque foi treinado a agir de determinada maneira e economizar energia.

"A maioria das escolhas que fazemos a cada dia pode parecer fruto de decisões tomadas com bastante consideração, porém não é.  Elas são hábitos. E embora cada hábito signifique relativamente pouco por si só, ao longo do tempo, as refeições que pedimos, o que dizemos a nossos filhos toda noite, se poupamos ou gastamos dinheiro, com que frequência fazemos exercícios, e o modo como organizamos nossos pensamentos e rotinas de trabalho têm impactos enormes na nossa saúde, produtividade, segurança financeira e felicidade."

Dividida em três capítulos intitulados O loop do hábito, O cérebro ansioso e A regra de ouro da mudança de hábito, a primeira parte do livro explica que para criar um hábito precisamos compreenderum ciclo que começa na deixa, que podemos entender como o gatilho que nos faz agir de determinada forma, seguida da rotina que é estabelecida em decorrência da deixa, mas visando alcançar uma recompensa específica.

Com exemplos de indivíduos, organizações e experimentos, Duhigg demonstra a relevância do loop do hábito sem desconsiderar as dificuldades que surgem desde a compreensão deste processo até a possibilidadede modificá-lo.

Duhigg ressalta que, o que as pesquisas demostram, é quepara mudar um hábito é necessário manter a deixa e a recompensa, sendo a transformação implementada na rotina e, consequentemente, na estruturação do hábito.

"Os hábitos nunca desaparecem de fato. Estão codificados nas estruturas do nosso cérebro, e essa é uma enorme vantagem para nós, pois seria terrível se tivéssemos que reaprender a dirigir depois de cada viagem de férias. O problema é que nosso cérebro não sabe a diferença entre os hábitos ruins e os bons, e por isso, se você tem um hábito ruim, ele está sempre ali à espreita, esperando as deixas e recompensas certas."

Pode até parecer, mas a análise apresentada por Duhigg nada tem de simplista. Os conceitos apresentados pelo autor não desconsideram as dificuldades enfrentadas por cada indivíduo e que são inerentes às circunstâncias que nos envolvem diariamente.

Os capítulos que abordam a ansiedade e a regra de ouro para a mudança de hábito deixam claro que, para que a transformação seja uma realidade, é necessária a intensificação do processo de autoconhecimento, identificação de elementos e experiências que são significativos para cada um de nós e, principalmente, acreditar no processo.

"São os anseios que impulsionam os hábitos. E descobrir como criar um anseio torna mais fácil criar um novo hábito. Isso é tão verdade hoje quanto era quase um século atrás. Toda noite, milhões de pessoas escovam os dentes para ter uma sensação ardida na boca; toda manhã, milhões calçam sapatos de corrida para receber uma injeção de endorfina pela qual aprenderam a ansiar."

Duhigg ressalta que o sucesso do programa desenvolvido pelo grupo Alcoólicos Anônimos (A.A.) passa pelo estímulo do grupo criado, favorecido pela troca de experiências, como mencionado no início deste texto, e que, quando o grupo é fortalecido, leva à crença e entrega ao processo.

"A evidência é clara: se você quer mudar um hábito, precisa encontrar uma rotina alternativa, e suas chances de sucesso aumentam drasticamente quando você se compromete a mudar como parte de um grupo. A fé é essencial e cresce a partir de uma experiência comunitária, mesmo que esta comunidade possua apenas duas pessoas."

E então, qual hábito você deseja mudar?