Desde o mês de abril que a vida da minha família tem tudo, menos rotina. Problemas de saúde que acometeram meu pai e minha mãe simultaneamente impactaram em nossas dinâmicas individuais e coletivas.
Em termos de saúde, mamãe já concluiu o tratamento dela e está bem. Meu pai está em condição mais delicada e estamos, literalmente, vivendo um dia de cada vez, da melhor maneira possível.
Para cada um de nós, essa realidade resultou em noites mal dormidas, cansaço crônico e a necessidade de readequar as respectivas rotinas dentro das novas condições que a realidade permite.
Quanto a mim, meu maior desafio tem sido compreender que, neste novo contexto, é impossível manter a produtividade que até então me representava. Afinal de contas, condições diferentes terão resultados diferentes, o que também vale para os aspectos cognitivos.
O ritmo de leitura e compreensão está mais lento; as atividades, de uma forma geral, têm demandado mais tempo para serem concluídas; a cabeça e o corpo têm requerido pausas mais longas; e, por vezes, a memória falha.
O resultado disso tudo é uma frustração que nada tem a ver com o contexto, mas com os novos parâmetros que precisam ser aceitos.
Esta nova dinâmica imposta à minha família nos obrigou a estar muito mais próximos, o que é muito bom, por reforçar aquilo que já sabíamos e agora estamos tendo a oportunidade de vivenciar. Temos uns aos outros. E só por isso, todo sacrifício já é válido.
Por outro lado, encontrar um novo ritmo de produtividade não tem sido nada fácil. Compreender que a realidade é determinante, que o corpo e a mente têm limites e que, por mais que eu queira, não devo esperar os mesmos resultados que alcançava meses atrás é, não só necessário, mas uma demonstração de respeito a mim mesma.
Não adianta cobrar o que não vou conseguir entregar. Mesmo que há não muito tempo eu conseguisse. Afinal, não sou mais aquela pessoa e nem tenho mais as mesmas condições. Portanto, a hora é de colocar em prática todos os ensinamentos gerenciais sobre flexibilidade e adaptação à realidade, sem cobranças!
Mesmo que de maneira mais lenta, só não posso desistir da caminhada. E isso vale para tudo na vida!
Afinal, a consistência é mais importante do que a intensidade!
