Enquanto a Parte Um do livro O Poder do Hábito – Por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios, de Charles Duhigg, foca nos hábitos individuais, a Parte Dois é dividida em quatro capítulos que tratam dos hábitos das organizações bem-sucedidas.
No capítulo quatro, intitulado Hábitos angulares, ou a balada de Paul O’Neill – Quais hábitos importam mais, Duhigg relata a transformação cultural pela qual a Alcoa, empresa norte-americana de alumínio e uma das maiores do mundo, passou, a partir do momento em que Paul O’Neill assumiu a diretoria executiva da organização, no final da década de 1980.
Duhigg revela que a estratégia utilizada por O’Neill foi desmanchar os hábitos relacionados a uma coisa, por acreditar que alguns hábitos podem iniciar uma reação em cadeia, resultando em reformulações nas vidas das pessoas e das organizações.
Mesmo com toda a desconfiança que a postura de O’Neill causou, de preocupação em estabelecer uma cultura de zero acidentes de trabalho, ele se manteve firme neste propósito, porque sabia que precisava transformar a empresa, mas que de nada adiantava “mandar as pessoas mudarem”.
A crença de O’Neill, explica Duhigg, é baseada nos chamados hábitos angulares que podem influenciar as pessoas em qualquer aspecto da vida e resultar em um processo de transformação completa.
"Os hábitos angulares dizem que o sucesso não depende de acertar cada mínimo detalhe, mas, em vez disso, baseia-se em identificar umas poucas prioridades centrais e transformá-las em poderosas alavancas. [...] Entender os hábitos angulares fornece a resposta para essa pergunta: os hábitos mais importantes são os que, quando começam a mudar, desalojam e reformulam outros padrões."
Para viabilizar a compreensão e identificação dos hábitos angulares, Duhigg explica que eles são os gatilhos que levam às chamadas pequenas vitórias que favorecem, entre outras coisas, a estruturação de novas culturas baseadas na mudança, por levarem ao sentimento de satisfação.
Duhigg explica que, além de representarem vantagem competitiva para as empresas, as pequenas vitórias fomentam transformações nos parâmetros das pessoas em relação ao que elas são capazes de conquistar.
O estabelecimento desses novos parâmetros e da percepção de êxitos que vão sendo registrados gradativamente na execução de pequenas tarefas que, somadas, representam um todo muito mais significativo, explica o autor, é o que possibilita a criação de uma nova cultura.
Depois de 13 anos na Alcoa, O’Neill se aposentou, depois de implementar uma transformação radical na empresa, a partir do desenvolvimento do hábito de acidente zero na organização, que resultou em incremento nos rendimentos da empresa em mais de 200%.
"Hábitos angulares nos transformam criando culturas que deixam claros os valores que, no calor de uma decisão difícil ou de um momento de incerteza, talvez acabássemos esquecendo."
Isso vale tanto para as rotinas organizacionais e como para os hábitos dos indivíduos.
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Estudos documentaram que famílias com o hábito de jantar juntas parecem educar crianças com melhor aptidão para as lições de casa, melhores notas, maior controle emocional e mais confiança. Arrumar a cama toda manhã é correlacionado com uma produtividade melhor, uma maior sensação de bem-estar, e maior aptidão para se manter dentro do orçamento. Não que uma refeição em família ou uma cama arrumada cause melhores notas ou menos despesas supérfluas. Mas, de algum modo, essas mudanças iniciais deflagram reações em cadeia que ajudam outros bons hábitos a se firmarem."
São os pequenos detalhes que fazem toda a diferença, não é mesmo?
Leitura que segue!
