As três partes que compõem o livro O Poder do Hábito – Por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios, de Charles Duhigg: Os hábitos dos indivíduos; Os hábitos de organizações bem-sucedidas; e Os hábitos das sociedades, nos colocam diante de uma crescente de influências que têm como ponto de partida o indivíduo.
Sob esta perspectiva, o capítulo 6, da Parte Dois, intitulado O poder de uma crise - Como os líderes criam hábitos através do acaso e da intenção, demonstra como a postura inadequada da liderança é capaz de resultar em problemas graves, como a morte de um paciente em um hospital ou um incêndio de proporções catastróficas, como o relato de Duhigg sobre o caso do metrô de Londres, na estação de King's Cross, que resultou na morte de 31 pessoas, em 1987.
O autor ressalta que da mesma maneira que os bons hábitos tendem a construir culturas fortes e proativas, os hábitos destrutivos estruturam culturas capazes de levar uma organização à morte.
Ser capaz de analisar os resultados das escolhas feitas, em decorrência dos hábitos estruturados, é caminho para a reordenação da rota, restruturação das relações, das práticas, da filosofia e, consequentemente, dos próprios hábitos.
Às vezes, no calor de uma crise, os hábitos certos surgem.
A gradação apresentada por Duhigg na divisão do livro certamente teve o objetivo de demonstrar o papel do indivíduo e da necessária consciência sobre si mesmo na orientação das organizações e, consequentemente, da sociedade.
Ao observar o desempenho de diversas organizações que alcançam resultados completamente diferentes, apesar da mesma estrutura e condições de atuação disponíveis, por causa da mudança na liderança - como nos casos da Alcoa e Starbucks, por exemplo – percebemos o quanto precisamos olhar para nós mesmos e racionalizar os hábitos, pois eles têm a capacidade de influenciar aqueles que estão ao nosso redor de forma significativa.
Este é o único sentido para este livro ser classificado na categoria autoajuda.
Não existem organizações sem hábitos organizacionais. Há apenas lugares onde eles são concebidos deliberadamente, e lugares onde são criados sem planejamento; por isso muitas vezes brotam de rivalidades ou do medo.
Em termos organizacionais, a história da empresa e daqueles que a constituíram são parâmetros da conduta dos colaboradores e ela não pode ser esquecida, por representar a natureza da atuação organizacional e a base da missão da empresa.
Duhigg é duro ao destacar que, apesar de toda a filosofia que trata as organizações como famílias, elas estão mais para campos de guerra, onde os hábitos precisam orientar tratados de paz e que quando isso não acontece, o caos se instala.
As empresas não são famílias. São campos de batalha numa guerra civil. E, no entanto, apesar dessa propensão a guerras internas, a maioria das empresas segue funcionando em relativa paz, ano após ano, porque tem rotinas — hábitos — que criam tréguas que permitem a todos deixarem suas rivalidades de lado por tempo suficiente para o trabalho do dia ser feito.
O fato, ressalta Duhigg, é que não importa se o clima é de guerra ou de paz, a orientação e/ou a reformulação dos hábitos são responsabilidades do líder.
Você está preparado?
