10 maio 2017

O caminho para o "sonho americano"

Desde que o mundo é mundo, boa parte dos brasileiros têm em mente o sonho de ver o Brasil constituído como os Estados Unidos. Muito dessa ideia se deve a imagem de ser a terra do Tio Sam um ambiente favorável ao crescimento todos, como mérito aos esforços individuais, o que resulta em uma boa qualidade de vida. Mas, será que a realidade é mesmo essa?

Com 1h12 de duração, o documentário “Requiem for the American Dream”, lançado em 2015 sob a direção de Peter D. Hutchison, Kelly Nyks e Jared P. Scott, traz o resultado de quatro anos de entrevistas com o linguista, filósofo, cientista e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Noam Chomsky, no qual ele fala sobre os dez princípios da concentração de riqueza e poder e como estes incrementam as desigualdades sociais nos Estados Unidos.

O professor apresenta como referências à sua argumentação nomes como Adam Smith, Aristóteles e James Madison, por exemplo, em uma análise histórica que revela o quanto as desigualdades sociais destroem a democracia. Chomsky observa que a concentração da riqueza em 1/10 da população norte-americana resulta em uma realidade opressora que busca, cada vez mais, impedir que o poder político fique nas mãos do povo, de acordo com os preceitos democráticos.

Para explicar como este pequeno grupo consegue atingir seus objetivos, deixando a sociedade cada vez mais sem esperanças de mudanças, melhorias e possibilidade de conquistar o sonho americano, ele pontua e analisa cada um dos princípios que orientam o grupo detentor de poder econômico e político para a concentração de riqueza:
  1.  Reduzir a Democracia
  2.  Moldar a ideologia
  3. Redesenhar a economia
  4. Deslocar o fardo (dos mais ricos para os mais pobres)
  5. Atacar a solidariedade
  6. Atacar os reguladores
  7. Controlar as eleições
  8. Manter a ralé na linha
  9. Consentimento na produção (criar consumidores)
  10. Marginalizar a população

Segundo Noam Chomsky, tais princípios levam à concretização da ideia mais vil apresentada por Adam Smith, em sua “A Riqueza das Nações”: “Tudo para nós, nada para eles.

Apesar de o documentário, disponível no Netflix, traçar um histórico a respeito da trajetória norte-americana, este também pode ser visto como um retrato do que está acontecendo no Brasil desde o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016; do futuro que nos espera; da repressão aos movimentos sociais; da força do poder econômico; do individualismo cada vez mais acentuado e estimulado para minimizar as possibilidades de fortalecimento da sociedade civil organizada, para que se torne menos questionadora e mais subserviente.

O filme é encerrado com a citação de Noam Chomsky a uma frase do historiador e cientista político também norte-americano, Howard Zinn, que diz: “O que importa são os incontáveis pequenos atos de pessoas desconhecidas, que fundam as bases para os eventos significativos que se tornam história.


Esta é uma reflexão mais do pertinente ao momento, ela é necessária!


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