Não lembro em que ano assisti ao desenho da Disney Mogli – o menino lobo, mas me recordo,claramente, que foi um dos que mais emocionou na vida. A busca de Mogli pela sensação de pertencimento, enquanto vive - literalmente - na selva é emocionante e, ao mesmo tempo, indutora de uma reflexão sobre a “selva” na qual nós vivemos e que se mostra cada vez mais implacável com os indivíduos.
Quando recebi a notificação do lançamento do filme Mogli – Entre dois mundos, pela Netflix, ainda em dezembro de 2018, logo inclui o longa, de 1h44, na minha lista. A produção live-action, dirigida por Andy Serkis, não decepcionou!
Mogli é um menino criado por lobos, depois de os pais dele terem sido mortos na selva por um tigre que também tenta mata-lo. Porém, Mogli é salvo pela pantera negra, Bagheera, sob a proteção de Kaa, a serpente que representa alma da floresta.
Bagheera coloca o menino em um descampado onde logo é encontrado pelos lobos que reúnem o conselho da selva para saber se podem cuidar da criança como se fosse um deles, já que os homens não são permitidos na selva, por causa de sua postura violenta e destrutiva diante dos animais e da natureza.
Mogli é autorizado a ficar e passa a ser treinado, como lobo, pelo urso Baloo que, como Bagheera, demonstra amor profundo pelo menino-lobo.
Apesar de todo amor e proteção que recebe, Mogli é criado sob a lei da selva e, por causa disso, sofre diante das evidentes características que o diferenciam de seus irmãos de alcateia.
A dificuldade para lidar com o diferente é materializada em Bhoot, o lobo albino que, assim como Mogli, não se sente parte do grupo e tem em Mogli seu melhor amigo, por acreditar que as diferenças os unem.
Mogli é um menino indiano que acaba indo morar na aldeia dos homens, mas descobre que a maldade humana não permite que perceba a diferença, por exemplo, entre caçar para garantir a sobrevivência e caçar por esporte.
Mogli sofre com a morte dos amigos da selva e decide enfrentar os perigos que o aguardam, mesmo ainda sendo uma criança, nem humano, nem lobo, porém de valores fortemente arraigados, como a lealdade e o valor da vida.
Esse é o tipo de narrativa que nos faz lembrar que mesmo diante do caos aparente, existem relações, pessoas e valores que nos sustentame orientam o caminho a seguir. Neste sentido, além de ser uma história encantadora, o filme nos ajuda a relembrar o sentido das coisas, da vida, de nós mesmos.
Somente agora descobri que a história de Mogli é baseada no O Livro da Selva, de Rudyard Kipling,publicado pela primeira vez, no Reino Unido, em 1894, e que já quero ler!
