12 fevereiro 2019

Por que ler os clássicos

 

Há algum tempo que, de fato, não sei precisar quanto, desejava ler Por que ler os clássicos, de Ítalo Calvino. O livro é uma coletânea de resenhas escritas pelo italiano, nascido em Cuba, sobre diversos livros que marcaram sua vida de leitor. Os textos foram organizados em ordem cronológica pela viúva do autor, Esther Calvino.

O livro, que nesta edição da Companhia de Bolso, conta com 285 páginas, tendo sido a primeira edição publicada pela Companhia das Letras em 1993, discute a relevância das obras citadas e de seus respectivos autores, as razões que tornaram tais escritores e suas obras personagens marcantes na vida de Calvino como leitor.

Entre as obras mencionadas por Calvino estão as escritas por Homero, Ovídio, Galileu, Robinson Crusoe, Candido, Diderot, Balzac, Charles Dickens, Gustave Flaubert, Tolstói, Joseph Conrad, Hemingway, Jorge Luis Borges, entre outros.

Destaque para o primeiro texto, que carrega o mesmo título que dá nome ao livro, e no qual Calvino ressalta a importância da leitura da fonte primária, ou seja, da obra em essência ao invés de livros sobre o livro, pois, nenhum livro que fala de outro livro diz mais sobre o livro em questão.

Para Italo Calvino, a descoberta do conteúdo dos livros não deve ser precedida por nenhuma outra leitura, um posicionamento rigoroso contrário aos spoilers!

Além disso, ele destaca que a descoberta das grandes obras que nos envolvem é consequência das leituras desinteressadas, o que, para ele, é o caminho para encontrarmos aquele livro que se torna O seu e, exatamente por isso, ele afirma:

Só nos resta inventar para cada um de nós uma biblioteca ideal de nossos clássicos; e diria que ela deveria incluir uma metade de livros que já lemos e que contaram para nós, e outra de livros que pretendemos ler e pressupomos possam vir a contar. Separando uma seção a ser preenchida pelas surpresas, as descobertas ocasionais.

É também neste artigo que Calvino explica que um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha a dizer.

Mesmo sendo contrário aos spoilers, Calvino traz nesse livro a essência de diversas obras clássicas que, a partir da forma como apresenta o conteúdo e a forma delineada pelos autores, só despertam o desejo da leitura, como O Doutor Jivago,de Boris Pasternak, que facilmente entrou para minha lista.

Com uma narrativa envolvente, Italo Calvino nos chama não só para ler os seus clássicos, mas para nos permitir conhecer e reconhecer os conteúdos que falam diretamente a cada um de nós para que tenhamos, então, vivenciado a experiênciade estar em contato com diversos mundos e perspectivas, a partir dos mais diversos olhares.

Este é o tipo de livro para ser saborosamente degustado!

Pode se jogar, sem medo de ser feliz!