25 setembro 2023

O que o tempo não muda

 Quatro anos, 1460 dias, uma pandemia e uma depressão se passaram desde aquela noite na qual você mudou de plano. Há quem diga que faz muito tempo, provavelmente por não ter vivenciado experiência similar, ainda. Eu já pensei assim também, antes de você partir e me ensinar que a ausência se torna presença diária e que o tempo, em toda a sua relatividade, não é capaz de conter as insistentes lágrimas que transbordam e correm pelo rosto.

A dor é diferente, mas, como as lágrimas, persistente. A luz voltou a se fazer presente, com novo significado que ainda tento compreender. A vida segue o próprio rumo porque a morte transforma quem fica. Quem parte permanece nos laços construídos e aguça as semelhanças que fortalecem o vínculo. A separação física intensifica a presença e vivifica o que foi,  é e sempre será real. E que sorte a nossa termos vivido uma relação real, pois só ela é capaz de sobreviver ao tempo, espaço e materialidade.

Sinto a falta do seu abraço e penso em você todos os dias. Esses são exemplos de coisas que o tempo não é capaz de mudar. Te amo, pai!