08 setembro 2023

Sem ser levada para um lugar melhor

 

Em média, dedico 1h30 para ler a edição do dia do jornal. Diariamente, tenho como meta ler O Estadão e a Folha, o que nem sempre consigo. Ter essa noção de tempo ajuda a identificar para quais atividades dedico mais tempo do que o necessário. O primeiro deles, sem dúvida, é o início da atividade física, nas primeiras horas da manhã. Mesmo tendo um objetivo bem definido ao levantar da cama às 4h20, depois que organizo todas as coisa pré-treino, sento na poltrona para terminar o chá e enrolo para começar os exercícios, ao mesmo tempo em que reclamo comigo mesma por estar jogando fora o tempo que poderia ter sido destinado, por exemplo, a mais alguns minutos de sono.

Mas se tem uma coisa que não há dúvida é do tempo, literalmente, jogado fora com redes sociais e o buraco negro da internet. Mesmo não tendo os aplicativos mais usados no celular, quando me coloco diante do computador, facilmente sou seduzida pela fofoca do momento. A que me pegou nesses dias foi a confusão envolvendo a Patrícia, da Doma Arquitetura, e a Dora, uma influenciadora que reformou um apartamento com ela e depois de dois anos da obra pronta decidiu expor na internet os problemas enfrentados durante o quebra-quebra e após a conclusão. Caminho sem volta.

Partindo dessa confusão, fui checar como está a Rayza Nicácio, que também fez o projeto de reforma da casa com a Patrícia, no auge da pandemia. Descobri que a casa foi vendida no ano passado, quando a Rayza voltou a morar em apartamento depois de perceber que a casa era muito grande só para ela.

Os dois casos expuseram o fato de a experiência de viver no ambiente sonhado ser mais importante do que as idealizações. É preciso estar e sentir. E isso vale para ambientes, oportunidades e pessoas.

Das reformas à Sandy, no Som Brasil, e ao Príncipe Harry, que estavam como assuntos mais comentados da manhã. Mergulhei nas duas histórias, uma de cada vez, e quando me dei conta, essa trajetória guiada por hipertextos consumiu cerca de três horas da minha vida, sem que eu fosse levada para um lugar melhor. Estacionei.

Isso significa dizer que ao invés de, por exemplo, ler os dois jornais do dia, me deixei levar pela sociologia da fofoca, expressão usada no podcast Collor versus Collor [recomendadíssimo], da qual me apropriei dada a pertinência da experiência aqui relatada.

A pergunta que me faço diante da constatação do tempo desperdiçado é: o que ganhei ao obter informações a respeito da fofoca das influenciadoras? Nada. Na verdade, não só não ganhei, como perdi: tempo, a ferramenta de maior escassez do mundo, impossível de ser recuperada. Além disso, não mudou em nada minha percepção sobre nenhum dos atores acima mencionados. Prejuízo restrito ao tempo perdido, o meu, que não volta mais.

Ter consciência desse tipo de situação nos permite rever escolhas para cuidar bem daquilo que verdadeiramente importa: nós mesmos.