Ao ler o livro “Lamentações”, no Antigo Testamento da Bíblia, pude perceber que a poesia sempre será um texto desafiador e que, como tal, requer uma leitura mais atenta e reflexiva das frases que o compõem.
Composto por apenas cinco capítulos, além da Introdução, o livro “Lamentações” me levou de volta à experiência com Charles Baudelaire, em “As Flores do Mal”, com textos compreendidos, internalizados - dada a intensa inspiração capazes de causar e, expostos ao lado de um conteúdo tão ininteligível que não sou capaz de expor o que disse.
A complexidade do contexto histórico no qual “Lamentações” está inserido - a tomada de Jerusalém, a destruição do Tempo em 587 a.C. por Nabucodonosor e a deportação de parte da população para a Babilônia – dá o pano de fundo do lamento de autoria desconhecida e graciosamente registrada.
Desde a leitura de Baudelaire, percebo a sutileza e sensibilidade da escrita de textos poéticos, que fogem à racionalização que impera na cultura ocidental. A poesia é um convite ao sentir e ao fazer sentir. Leitura e releitura são necessárias porque requerem a presença de espírito, a entrega do leitor. Só assim é possível, ao leitor o encontro consigo mesmo por meio das palavras estruturadas em poemas.
Mesmo que, por vezes, desconfortante, essa é uma bela experiência, em sua mais profunda essência, que todo ser humano deveria experimentar.
"O Senhor é bom para quem o espera, para aquele que o busca; é bom esperar, em silêncio, a salvação do Senhor." Lamentações (3, 25 - 26)
