13 outubro 2023

Educação, regras e limites garagem segurança e bem-estar aos animais



 Assumir a responsabilidade de cuidar de um ser vivo é sinônimo de um compromisso para a vida inteira dos indivíduos envolvidos nesta relação, independente da espécie. Por mais planejamento que façamos, é uma relação que expressa bem o que a vida é, por ser marcada pela imprevisibilidade que vai de encontro a toda e qualquer expectativa que se tenha. Para tirar o maior proveito disso, é preciso estar aberto para conhecer o outro e vivenciar a experiência do encontro, a partir do que ele nos apresenta e não daquilo que esperamos que ele seja.

Bambino foi resgatado pela ong Amor Sem Raça Definida em 5 de julho de 2017, depois dele ter sofrido um atropelamento em Cidade Verde. Acompanhar os cuidados que foram dados a ele, mesmo que de longe, despertou o desejo de abrir a casa e o coração para este novo amor, apesar do medo da perda deixado pela morte de Ursa, em 22 de novembro de 2016.

Desses seis anos de convivência com Bambino, até aqui, é indiscutível o aprendizado diário sobre ele e sobre mim mesma. Entender a personalidade, as necessidades e os hábitos dele foi e continua sendo ponto de partida dessa jornada, construída a cada dia.

Na leitura do livro do pai da Estopinha, o Alexandre Rossi, intitulado “Adestramento inteligente – Como treinar seu cão e resolver problemas de comportamento”, impressiona o volume de coisas que aprendemos intuitivamente, bem como as coisas que precisam ser aprendidas, evitadas e corrigidas, pois os erros são também em volume significativo, apesar de até então inconscientes.

Uma das coisas que mais tem chamado atenção nesta leitura, ainda em andamento, é a confirmação de que os cachorros têm necessidades, sim, bastante similares às nossas. “Para ser saudável, todo cão necessita ter acesso a algum tipo de convívio, além de uma boa alimentação e de exercícios, claro. Cães são animais que precisam de companhia: caso fiquem trancados ou afastados da família por muito tempo, certamente terão problemas.” (p. 181)

Este trecho integra a parte do livro na qual Rossi aborda problemas comportamentais e a importância de compreendermos a lógica e a necessidade do animal para tratar desses casos, pois o grande equívoco cometido pela maioria das pessoas é pensar em solucionar os problemas a partir das nossas expectativas e não das dos cães.

Assim, ao abordar as causas da ansiedade de separação, por exemplo, ele afirma que entre elas está o fato de que cachorros como Bambino, que foram abandonados, tenderem a sofrer mais quando estão sozinhos. Segundo Rossi, a causa desse sofrimento foi explicada por um cientista russo, chamado Rusinov, em 1973. Ele desenvolveu um estudo sobre a eletrofisiologia dos cães e descobriu que esses animais são capazes de imaginar sons, imagens e cheiros de maneira similar à nossa. Quando ficam sozinhos, explica Rossi, os cachorros passam a imaginar a nossa chegada e quando ela não acontece cria-se um conflito que gera ansiedade.

O autor, que é médico-veterinário e zootecnista, observa que é possível diminuir a ansiedade de separação de modo a tornar o cão mais independente por meio do estabelecimento de uma nova rotina. Rossi é enfático ao afirmar que, assim como acontece com os seres humanos, a educação, o estabelecimento de regras e limites representa a segurança e o bem-estar do animal que, sim, aprende pelo exemplo. “É importante que você ensine seu cão com carinho e dedicação, e a resposta retornará da mesma forma... O que semeamos é o que colhemos.” (p.115)

Isso vale para tudo na vida. E que venham os próximos anos de convivência e amor.