Ester é um livro do Antigo Testamento que mostra a perseguição aos judeus. Ela mesma era uma judia que integrava o grupo de deportados, por Nabucodonosor, de Jerusalém, e que por causa disso foi para a Pérsia - atual Irã -, à época do reinado de Xerxes I.
Diante dessa informação, a primeira coisa que me veio à mente foi o filme 300, que retrata a Batalha de Termópilas, na Grécia Antiga, e no qual o ator Rodrigo Santoro dá vida ao rei Persa.
No livro de Ester, que se torna rainha de Xerxes depois dele ter banido a então rainha, Vashti, por ela tê-lo desobedecido, como forma de dar exemplo a todas as mulheres, que não retrucassem os maridos e fossem humildes diante da superioridade do homem. Cartas foram enviadas às 127 províncias que integravam o reino de Xerxes, “a fim de que todo homem seja senhor em sua casa”. (Est 1, 22)
Que bom que sempre existem aquelas que resistem e transgridem normativas desse tipo. Do contrário, não estaríamos aqui, não é mesmo?!
Ester foi levada ao rei pelo primo, Mordekai, que a adotou depois da morte dos pais dela. Porém, Xerxes não sabia da origem judaica da nova rainha, que nada disse ao rei, seguindo a orientação do primo.
Xerxes nomeou como um dos ministros do reino Persa, um homem chamado Haman. Dada a posição concedida pelo rei a ele, todos os servidores eram obrigados a se prostar diante de Haman na entrada do reino, onde Mordekai permanecia, porém, sem se ajoelhar diante do ministro. Os demais servidores questionaram a conduta do judeu, que nada dizia. A situação irritou Haman que, como solução à situação, pediu o consentimento do rei Xerxes para exterminar todo os judeus da Pérsia.
“Então Haman disse ao rei Xerxes: ‘Há um povo particular, disperso e separado no meio dos povos em todas as províncias do teu reino. Suas leis são diferentes das do teu povo e eles não obedecem às leis reais. Não interessa ao rei deixá-los tranquilos. Se for do agrado do rei, escrever-se-á para os aniquilar.’(...). Então o rei tirou seu anel do dedo e o deu a Haman, filho de Hamedata, o agaguita, opressor dos judeus. Depois o rei disse a Haman: ‘O dinheiro te é entregue, e também o povo, para que dele faças o que te agradar.” (Est 3, 8-11)
Haman quis exterminar o povo judeu inteiro porque Mordekai se recusou a se ajoelhar diante dele, o que considerou uma afronta ao poder concedido a ele pelo rei Xerxes. Como entender a irracionalidade dessa decisão? Impossível.
Ler sobre isso em um momento em que o mundo assiste a mais um conflito armado entre judeus e palestinos nos permite entender que a irracionalidade orienta essas ações que, não, não representam ganhos para ninguém, apenas violência, morte e destruição. E essa situação se dá há bem mais de três mil anos, quando se passa a história de Ester, mas desde o período de Abraão, por volta de 2000 a.C..
Abraão foi o pai de Ismael e Isaac, dos quais descendem palestinos e judeus, respectivamente. Sobre esses, vale a leitura e releitura do livro do Gênesis, porque precisamos entender e aprender com a história para evitar a repetição de padrões que em nada agregam. E, nesse caso, a religião é o fio condutor.
