04 outubro 2023

A revolução interna gerada pelo conhecimento



Sair da zona de conforto é uma das coisas mais radicais que podemos fazer em relação a nós mesmos, pois ao adentrar um novo ambiente, todos os parâmetros que orientavam a caminhada tornam-se irrelevantes. Sem isso, perdemos os pontos de apoio e referência. É como se estivéssemos cegos diante do próprio caminhar. E se isso pode ser paralisante, na medida em que exalta o medo do desconhecido, ao mesmo tempo em que é a porta que se abre ao novo e a um infinito de possibilidades até então desconhecidas.

Se a leitura é um hábito desde sempre, o mesmo não posso dizer para o estudo da matemática que, apesar de sempre tangenciar a jornada trilhada, nunca foi o objeto central de atenção, até este ano.

Depois da chacoalhada levada na leitura do livro “Os inovadores - Uma biografia da revolução digital”, de Walter Isaacson, um novo conjunto de oportunidades surgiu – ou talvez ele sempre estivesse ali, sem que tivesse recebido a devida atenção antes – e foi agarrada. Análise de dados e matemática foram inseridos cotidiano e o estudo desses temas tem demandado uma energia, o reconhecimento de área e construção de hábitos de estudo e pesquisa completamente novos.

“Pessoas que amam as artes e as ciências humanas também deveriam fazer um esforço para apreciar as belezas da matemática e da física, como Ada. Do contrário, serão meros circunstantes na interseção das artes com a ciência, onde ocorre a maior parte da criatividade da era digital. Entregarão o controle desse território aos engenheiros.” Walter Isaacson | Os Inovadores (p.501)

Esse tem sido o fio condutor desta nova etapa de apropriação de novos conhecimentos para a manutenção da autonomia.

Como uma revolução interna, que de fato é, a dedicação para o desvendar desta nova área tem consolidado a máxima de que a consistência é mais importante do que a intensidade. Estudar dois ou três tópicos de determinado assunto em um mesmo dia é simplesmente inviável. Se quiser aprender, contente-se com um. É o recado que o cérebro manda.

Há uma demanda de energia e concentração desconhecida, mesmo para quem o hábito de estudo, pesquisa e leitura não seja novidade. O que está claro é que o tema muda toda a configuração do corpo e da concentração para o desenvolvimento cognitivo. Novos parâmetros estão sendo estabelecidos.

De constatação até aqui, neste novo começo, é que a base foi bem-feita o que permite a retomada desses conteúdos da memória. Como diz a música “De cada vez”, de Sandy e Agnes Nunes, “Amor, alegria, um passo, uma coisa, um dia de cada vez.”