O livro O Poder do Hábito – Por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios, publicado por Charles Duhigg, em 2012, é dividido em três partes intituladas: Os Hábitos dos Indivíduos; Os Hábitos das Organizações bem-sucedidas e Os Hábitos de Sociedades; sendo os capítulos que as subdividem encadeados de forma a revelar ao leitor que tudo começa, termina e pode ser modificado a partir do indivíduo.
O primeiro capítulo da parte três, A Saddleback Church e o boicote ao ônibus de Montgomery, demonstra como o significado das ações individuais diante de questões coletivas tem a capacidade de mobilizar grupos.
Este foi o caso de Rosa Parks, mulher, negra, em um período de segregação racial nos Estados Unidos, que se negou a se levantar e ceder o assento do ônibus para uma pessoa branca, simplesmente porque ela era branca.
Parks foi presa e o fato de ser uma pessoa de influente na igreja e na comunidade onde residia fez com que as pessoas aderissem ao boicote à empresa de ônibus Montgomery, que durou meses.
O relato feito por Duhigg revela que é o significado que os fatos e as ações têm para o coletivo que nos movem a agir, na medida em que nos identificamos com este significado que, apesar de representativo do grupo, adotamos como individual.
“Um movimento começa devido aos hábitos sociais de amizade e aos laços fortes entre conhecidos próximos. Ele cresce devido aos hábitos de uma comunidade e aos laços fracos que unem vizinhanças e clãs. E ele perdura porque os líderes de um movimento dão aos participantes novos hábitos que criam um novo senso de identidade e um sentimento de propriedade.”
A iniciativa de Rosa Parks levou os Estados Unidos a, anos depois, tornar ilegal a segregação racial e consolidar a luta pelos Direitos Humanos, a partir de nomes que encabeçaram o boicote à Montgomery, como o líder religioso Martin Luther King Kr, no Alabama.
O poder de mobilização das igrejas é representativo do poder do significado, como bem explica Rick Warren, fundador da Saddleback Church, uma das maiores instituições religiosas do mundo, que foi o responsável pela invocação na posse do presidente Obama.
De acordo com Warren, “para que uma ideia cresça para além de uma comunidade, ela deve ser autopropulsora. E o jeito mais garantido de atingir isso é dar às pessoas novos hábitos que as ajudem a descobrir sozinhas aonde ir.”
Isso quer dizer que a mudança social que se espera a partir da ação de um grupo só vai ser viável no momento em que os indivíduos se apropriaram das propostas por entenderem que elas têm significado pessoal para cada integrante que passa a ter consciência de que a mudança almejada depende da ação dela.
Esta percepção está, segundo Duhigg, intimamente ligada à pressão social.
“(...) uma forma de persuasão que tem sido notavelmente eficaz há centenas de anos. É o senso de obrigação que as vizinhanças ou comunidades colocam sobre si mesmas. Em outras palavras, a pressão social.”
Não é por acaso que pertencemos aos grupos que pertencemos. Os significados nos movem e envolvem, mesmo que não tenhamos consciência disso! Observe!
Vale destacar que, neste capítulo, Duhigg reforça a ideia de que O Poder do Hábito é um livro puramente de Marketing, ao expor que as estratégias de Rick Warren eram inspiradas no pensamento de Donald McGavran, autor focado em construir igrejas em países onde a maioria das pessoas não tinha aceitado Cristo.
“Aqui estava alguém que entendia que a religião precisava, na falta de uma palavra melhor, de marketing. McGavran esboçou uma estratégia que instruía os fundadores de igrejas a falar com as pessoas ‘na linguagem delas’, a criar locais de culto onde os congregados viam seus amigos, escutavam os tipos de música que eles já ouviam e vivenciassem as lições da Bíblia em metáforas digeríveis. O mais importante, disse McGravan, era que os ministros precisavam converter grupos de pessoas, e não indivíduos, de modo que os hábitos sociais de uma comunidade incentivassem a participação religiosa, em vez de afastar as pessoas.”
Para fortalecer grupos é necessário fortalecer a identidade que une os integrantes e o meio de fazer isso é identificar e estimular ações que têm significado para cada indivíduo e torná-las hábitos.
Leitura que segue!
