15 janeiro 2019

O Pequeno Príncipe

O escritor italiano, nascido em Cuba, Italo Calvino afirmou que Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer. A explicação, datada de 1981, está registrada no primeiro texto do livro Por que ler os clássicos e, certamente, pode ser utilizada para definir O Pequeno Príncipe, de Antoine deSaint-Exupéry, pois, cada leitura representa uma experiência diferente, mas não menos intensa.

A história d’O Pequeno Príncipe foi publicada pela primeira vez em 1943, nos Estados Unidos, e desde então o texto do escritor francês se tornou mundialmente conhecido, não só pelas frases que se tornaram até mesmo clichês, como O essencial é invisível aos olhos, como pelas adaptações em filmes e desenhos que dão ao livro a imagem de infantil.

As ilustrações em aquarela e os diálogos estruturados de maneira simples tendem a confirmar esta percepção. Mas um segundo olhar à narrativa de Saint-Exupéry leva o leitor a encontrar uma crítica ao modo de vida das pessoas grandes que se ocupam de diversas atividades, em sua maioria, sem sentido e/ou utilidade, assim como a defesa do retorno à uma existência mais simples, minimalista.

- Os homens  do teu planeta – disse o pequeno príncipe-  cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que procuram...

- É verdade – respondi.

- E, no entanto, o que eles procuram poderá ser encontrado numa só rosa, ou num pouco de água...

- É verdade.

E o principezinho acrescentou:

- Mas os olhos são cegos. É preciso ver com o coração...

É na simplicidade da existência que as relações são, de fato, percebidas, sentidas e vividas. É assim que elas passam a ter significado, pois criam laços nos envolvidos que os tornam reciprocamente únicos, especiais, mesmo em um ambiente com milhares de outros seres humanos.

 - A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.

- É preciso ser paciente – respondeu a raposa.

A triste história d’O Pequeno Príncipe (sim, esta é uma história triste!) nos estimula a refletir sobre nossas atividades, condutas e relações, mas não sem nos arrancar algumas lágrimas, não importa quantas vezes você a leia.

Sem dúvida, vale muito a leitura deste livro que, além de poder ser lido em apenas um dia, nos coloca em contato com o essencial da vida e do ser.

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