29 agosto 2023

A leitura como caminho para desvendar o mistério da própria existência

Relendo um livro de políticas públicas, por acaso encontrei a definição da expressão “efeitos perversos” que dias atras tentei recuperar na memória, mas não consegui. A expressão, segundo Ives Meny e Jean-Claude Thoenig, em “Las políticas públicas”, está relacionada às consequências das ações organizacionais que escapam à vontade e às estratégias previamente definidas pelos atores inseridos nos jogos de poder.

Segundo os autores, isso acontece porque a atuação dos indivíduos resulta da racionalidade limitada, inerente ao ser humano, que os leva a fazer escolhas difíceis de serem explicadas por que resultam do entrelaçamento de contradições e inspirações que, em sua maioria, são incoerentes. O desafio está em pensar nisso no nível governamental e não surtar.
Essa definição é diferente da que explica a palavra “externalidade” que, no momento da pesquisa mental, era recuperada e, por sua vez, está relacionada aos efeitos colaterais de atividades realizadas sobre terceiros. Apesar de também não serem previstos, esses resultados são observados indiretamente, podendo ser positivos ou negativos. O efeito perverso diz respeito, mais especificamente, às influências subjetivas que influenciam os indivíduos no processo decisório e que são difíceis, para não dizer impossíveis, de serem explicadas racionalmente.
Mais do que a possibilidade de esclarecimento desses termos, mesmo que em uma atividade que não a previa, temos aqui a revelação de mais uma oportunidade de aprendizagem e compreensão das mais variadas dinâmicas sociais que a constância de estudos promove. Mesmo sem o objetivo de encontrar a definição durante esta leitura, cujo proposito é mais abrangente, houve a oportunidade de identificação de uma externalidade positiva, tendo em vista a utilização das definições para explicá-las aos interlocutores da discussão de outrora.
Esse é um dos poderes da leitura. Desvendar mistérios que nem mesmos sabemos que buscamos esclarecer; encontrar novos caminhos pessoais e profissionais; compreender a dinâmica da própria vida e da sociedade são exemplos disso. A leitura de cada livro é uma caixinha de surpresas e como todo processo, não é um fim em si mesma, mas uma etapa para algo que está além dela e que só fará sentido quando o significado das palavras se cruzar com as contradições que nos compõem.
Somos o resultado das interações que estabelecemos com outras pessoas. Ler é se colocar em contato com pensamentos e experiências capazes de nos fazer enxergar que não existimos em nós mesmos, mas sempre na perspectiva daqueles com quem nos relacionamos. Cada descoberta é uma oportunidade de desvendar o mistério da própria existência.