01 fevereiro 2023

A complexidade da arte e da aprendizagem


Dias atrás, depois da conclusão do curso “O Coringa: Insatisfação, Violência e Desprezo”, ministrado pelo professor Christian Dunker, na Casa do Saber, e com as ideias fervilhando diante de tantas informações discutidas a partir de um dos personagens que considero mais complexos da saga Batman, lembrei das escolhas feitas no passado que me trouxeram até aqui.

No início de 2022, assisti a todos os filmes do Batman numa preparação para o novo longa-metragem que seria lançado naquele ano, “The Batman”, com Robert Pattinson no papel do protagonista. Tinha parado no “Batman Begins”, de 2005, porque com a morte de Heath Ledger depois das gravações de “O cavaleiro das trevas” (2008), no qual interpretou o Coringa, optei por deixar a saga para lá. Quando a vida e a arte se misturam dessa maneira, a realidade torna-se intensa demais.
O tempo ressignifica as experiências e a nova opção foi por assistir a todos os filmes, sem pressa, para relembrar as histórias, acompanhar a evolução dos personagens à espera da nova abordagem.
Foi fácil confirmar a preferência absoluta pela trilogia sob Tim Burton, que dá aos filmes “Batman” (1989), “Batman: o retorno” (1992) e “Batman Eternamente” (1995) o estilo gótico que se destaca em “A noiva cadáver”, ao mesmo tempo em que se aprofunda nos aspectos psicológicos dos personagens. Associe-se a isso, o fato de, para esta que vos escreve, Michael Keaton seguir como o melhor Batman e o Pinguim, de Deny Devito, o mais profundo dos vilões da saga, ao abordar, entre outros elementos, a rejeição às crianças atípicas e as consequências que esse tipo de situação acarreta.
Além disso tudo, há o detalhe de ter assistido “Batman” (1989) pela primeira vez no cinema em Gramado (RS), com meus pais e irmã ♡. Mesmo não tendo compreendido a história à época, a memória afetiva aumenta os pontos em favor de Michael Keaton.
O Coringa de Heath Ledger ajuda a compreender a intensidade sentida pelo ator. Não são raros os casos da influência das características do personagem naquele que lhe dá vida. Interpretar o agente do caos, como o Coringa se apresenta, em “O cavaleiro das trevas”, certamente não foi algo simples. A complexidade deste personagem não permitiria que fosse e durante o curso do professor Christian Dunker, que tem como base o filme “Coringa” (2019), com Joaquin Phoenix como protagonista, há a descoberta de que este é um personagem inspirado no romance de Victor Hugo intitulado “O homem que ri”, publicado pela primeira vez em abril de 1869, que já está no Kindle, mas vai esperar um pouco para ser lido.
A estratégia utilizada com os filmes do Batman é a que dá base ao meu processo de aprendizagem, sendo este é pessoal e intransferível. Preciso entender as coisas do começo. Não me basta um resumo porque ele nuca é suficiente para responder aos questionamentos que naturalmente surgem na mente de quem se dispõe a conhecer as coisas verdadeiramente. A superficialidade não dá conta disso.
Mas, 2022 não foi um ano como todos os outros - se é que algum se repete – e a retomada da vida após o período crítico da pandemia da Covid-19, associada a eventos como Copa, eleições e crimes contra a democracia, fez desse um ano totalmente fora da curva. Manter a concentração nesse período foi desafio diário, no exercício de manutenção da sanidade mental. Uma das provas disso é a quantidade de livros com leitura iniciada e não concluída na lista – pelas mais diferentes razões – mas que reunidos agora serão retomados e consumidos. Essas leituras ajudarão a conhecer e compreender não apenas o conteúdo que apresentam, mas também o significado deles naquele e neste momento.
Assim, retomo a seletividade que pavimentou a caminhada até aqui, na escolha de conteúdos e na forma de consumi-los, porque somos o resultado desse processo e não há tempo a perder aquilo que não agrega valor à vida, que é o agora. Há muita coisa boa à nossa disposição e que vale cada minuto dedicado, para, ao invés disso, nos contentarmos com o que é rasteiro.
Os títulos a serem concluídos são:
➞ A educação para além do capital – István Meszáros (releitura)
➞ A espiral do silêncio – Elisabeth Noelle-Neumann
➞ Fogo & Sangue – George R. R. Martin
➞ Germinal – Émile Zola (releitura)
➞ O Brasil dobrou à direita – Jairo Nicolau
➞ O clube das 5 da manhã - Robin Sharma (releitura)
➞ O Homem Integral – Divaldo Franco, por Joanna de Angelis
➞ Os cães ladram - Truman Capote