12 novembro 2022

Ser protagonista ou fantasma da própria vida

Os relatos de pessoas sobre o desejo de mudar de área de atuação e, consequentemente, a própria vida são inúmeros e chegam dos mais variados tipos de gente. Isso acontece porque o desejo se dá pela ausência, como explica o professor Clóvis de Barros Filho nas aulas e palestras nas quais esse assunto é abordado.

Pelas mais diversas razões que não precisam ser explicadas, queremos o que não temos, mas entre o desejo e a conquista existe um caminho a ser percorrido, mas que nem todos estão dispostos a trilhar, e não apenas em relação às questões profissionais.
O movimento é por natureza trabalhoso. Pressupõe gasto de energia e sair da zona de conforto, mesmo que ela não seja das mais agradáveis, para recomeçar.
É a ideia de recomeço que assusta, pois dá a impressão de que tudo o que foi investido em termos de tempo, dinheiro, energia e, porque não dizer, vida, deve ser abandonado e esquecido. Mas isso não é verdade.
Austin Kleon, autor do livro “Mostre o seu trabalho”, observa que “o segredo é: você nunca recomeça do zero. Não perde todo o trabalho que veio antes. Mesmo se tentar deixá-lo de lado, as lições que aprendeu com ele se infiltrarão no que você fará em seguida.” E é bem isso, desde que você se permita aprender com as lições do passado.
Quando uma mudança acontece, o primeiro pensamento é, sim, o de esquecer tudo o que foi vivenciado até aquele momento para que um novo começo seja possível. Mas, veja, cada indivíduo é resultado das experiências que vivencia, portanto, é impossível esquecer ou abandonar aquilo que foi feito, vivido e experimentado.
Estar diante do desconhecido tende a assustar, mas é aí que a experiência entra como vantagem, porque, para o bem ou para o mal, é um parâmetro. Porém, é preciso coragem para dar o primeiro passo na construção da nova jornada, bem como é preciso coragem para olhar para trás e aprender com aquilo que nos trouxe até aqui. Não é possível zerar o marcador ou fingir que a vida anterior não aconteceu.
O movimento estratégico a ser feito é o de encarar o que deu certo e o que não deu até este momento, para usar o que funcionou e, aí sim, abandonar aquilo que se mostrou equivocado.
Nenhum desses movimentos é fácil. Recomeçar é se colocar diante do desconhecido, o que, por natureza, assusta. Ao mesmo tempo que requer o olhar para trás para reconhecer o que é joio e o que é trigo. Autoconhecimento e autocrítica exigem o olhar para si mesmo, o que, para muitos, é o maior dos desafios. Mas, vale ressaltar que a tentativa de se esconder de si mesmo não mudará a realidade, adiará o trabalho que precisa ser feito e aumentará a frustração pelo que poderia ter sido, se a coragem fosse alimentada, apesar do medo.
Ser protagonista ou fantasma na própria vida é escolha que fazemos todos os dias. Qual é a sua?