22 abril 2019

A Arte do Romance

Um livro publicado em edição de bolso, com apenas 149 páginas, que integram nove ensaios escritos por Virginia Woolf, mas que nem porisso é sinônimo de leitura rápida.

A Arte do Romance, nesta versão publicada em 2018, pela L&PM Pocket, é uma demonstração da intensidade que marca os escritos da inglesa e que, justamente por isso, requerem tempo para degustação, amadurecimento e reflexão a respeito das ideias apresentadas.

Esta coletânea é composta por textos que abordam temas como, por exemplo, hábitos de leitura e de contato com os livros; o processo de escrita na vida de um escritor; a relação entre a mulher e a literatura, em seus variados aspectos, incluindo parte da discussão abordada em Um Teto Todo Seu; até o papel do resenhista e das relações estabelecidas entre editores, escritores, público e resenhistas.

Em comum, os textos colocam ao leitor a constante reflexão crítica que Virginia Woolf faz sobre o próprio ofício e as imposições culturais, sociais, políticas, tecnológicas e econômicas ao fazer literário e, também, como esses são expressos nas linhas impressas dos livros.

Tudo isso apresentado de forma a possibilitar, durante a leitura, a percepção de que todos os questionamentos fazem parte do cotidiano dela e dos escritores em geral e norteiam a construção do indivíduo e, consequentemente, do livro que chega às mãos de cada um de nós, ávidos por estabelecer contato com o olhar de determinado autor sobre o mundo no qual estamos inseridos.

Ao menos para mim, é impossível ler Virginia Woolf de um fôlego só, pois a cada frase, o convite expresso à reflexão sobre nós mesmos e o mundo contemporâneo que, mesmo não sendo o descrito por ela, guarda muitas similaridades aos dias de hoje que nos levam a questionar a evolução social e a postura dos homens diante dos mais variados dilemas da vida.

Este contexto é claramente expresso nas transformações registradas na produção literária e não apenas no tempo descrito por VirginiaWoolf. Nisso não há juízo de valor, constatação, apenas.

Um livro de esvanece. É tênue como uma névoa, como um sonho.

A leitura é uma experiência individual, mas que pode (e tem) significados similares, mesmo em pessoas diferentes.

Os relatos de Virginia Woolf dizem muito sobre mim mesma e, não por acaso, que ao falar por mim, ela se confirma, a cada leitura concluída,como minha escritora preferida da contemporaneidade.

 

Há sempre um demônio dentro de nós sussurrando “Odeio, amo” e não há como silenciá-lo. Na verdade, é exatamente porque odiamos e amamos que nossa relação com os poetas e romancistas é tão íntima que consideramos insuportável a presença de outra pessoa. 

Apenas leia! 😊