20 julho 2018

Prevenção


No Brasil, todos os meses do ano são identificados por cores diversas que representam uma campanha de prevenção a alguma doença. Fora isso, não são poucas as iniciativas que têm como objetivo lembrar as pessoas da importância da ação preventiva em qualquer situação.

Há poucos dias começou a circular uma campanha nas redes sociais para a conscientização da prevenção do câncer de mama que consistia na publicação de uma foto em preto e branco, acompanhada de hashtags alusivas à causa. Participei com a publicação de uma foto no meu perfil do Instagram.

Por coincidência, estou me submetendo a uma série de exames, que faço periodicamente, para checar a saúde. Desde 2012, tenho acompanhamento especializado de uma mastologista, a cada seis meses, por causa de cistos nas mamas. O cuidado frequente é justificado pelos casos de câncer em parentes próximos que me colocam em faixa de risco e requerem redobrada atenção.

A mastologista que me acompanha, Patrícia Gonçalves, é uma Profissional com p maiúsculo, mesmo. A recomendo para todas as pessoas, tamanha confiança que tenho nela e no trabalho que desenvolve. Por sua vez, dra. Patrícia confia no trabalho da dra. Isis Dantas, responsável pelas ultrassonografias de, pelo menos, 90% das pacientes de dra. Patrícia.

Na primeira consulta que tive com dra. Patrícia levei o resultado de uma ultrassonografia que tinha indicado os cistos. As orientações que ela me deu foram:

1.      Os exames de imagem são extremamente importantes na prevenção do câncer de mama, por serem instrumentos orientadores do mastologista para a definição das ações subsequentes ao diagnóstico;

2.      Dra. Isis é referência no cuidado e atenção na realização da ultrassonografia das mamas;

3.      Marcar a punção.

Já no primeiro contato que tive com dra. Isis compreendi a razão da confiança de dra. Patrícia nela. Ela é atenciosa tanto com o paciente, como com o exame que é realizado em dezenas de minutos. Vinte, trinta, quarenta, até, se for necessário. Ela olha, olha novamente, conversa, explica, marca, volta, percorre as mamas e as axilas quantas vezes julgar necessário. Sem pressa.

Minha leitura é que ela age de forma a dar à paciente e ao médico solicitante a segurança de que se alguma coisa diferente do normal estiver acontecendo no corpo, na região em análise, ela terá condições de identificar.

Acredite, o cuidado que recebemos no decorrer do exame faz valer a espera de três a quatro meses.

Sim, o período de espera chega a ser absurdo. No dia 30 de abril marquei meu exame para o dia 3 de agosto! Porém, devido ao trabalho, precisei rever esta data. Liguei para a clínica onde dra. Isis atende e a data mais próxima na agenda dela é no mês de outubro.

Corri para dra. Patrícia, expliquei a situação e ela indicou três nomes para atendimento na Liga, mas enfatizou: o aparelho de lá é melhor, mas nenhuma delas é como Isis!

Sai do consultório com o encaminhamento, marquei o exame para menos de uma semana a frente. No mesmo dia tinha um compromisso e informei aos envolvidos que chegaria atrasada – já que meu parâmetro era dra. Isis e tinham seis pessoas guardando atendimento antes de mim. Mas, minha vez chegou mais rápido do que imaginei.

A atendente me recebeu no consultório, deu as orientações para o posicionamento na maca, conversou até que a médica responsável pelo exame entrasse. Ela estava na sala ao lado, também fazendo ultrassonografias.

A dinâmica é: enquanto uma paciente é organizada na maca, outra está sendo atendida na sala ao lado.

E foi assim que meu exame foi realizado. The Flash! Rápido ao ponto de não ter esquentado nem a maca. A observação da axila levou menos tempo daquele que eu levo para passar o desodorante.

A preocupação com a produtividade não permitiu que a médica conversasse comigo, apesar de ter sido esta a primeira - e última – vez que me atendia. Cheguei ao meu compromisso no horário marcado, como se não houvesse exame. A avaliação feita após o atendimento foi fiel ao tempo dedicado a mim, baixa. Não sei se isso terá efeitos práticos, mas acredito que não podemos nos omitir.

Mesmo com um laudo em mãos que me diz que no meu corpo, apenas novos cistos estão presentes e que, por serem muito pequenos, não requerem nem punção, não confiei. Solicitei a dra. Patrícia novo encaminhamento, remarquei o exame com dra. Ísis, agora para o final de outubro, porque não dá para confiar. E se ela deixou escapar algo?

Não posso e nem quero arriscar.

Diante deste relato, fica a pergunta: de que valem as campanhas de conscientização da importância da prevenção e do autoexame se os profissionais estão mais preocupados com números de atendimentos do que com a qualidade deles?

Se a realidade fosse diferente, a demanda de pacientes para dra. Isis não seria tão grande, pois haveria opções. Hoje, não há e os casos de câncer só aumentam. Boa sorte para nós!

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